Colunistas

Pe. Manoel Pedro Neto

SÍNODO PARA A AMAZÔNIA

               O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projeto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados setores da atividade humana, estão a trabalhar para garantir a proteção da casa que partilhamos. Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas conseqüências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos. (LS 13)

               Depois de um tempo de confiança irracional no progresso e nas capacidades humanas, uma parte da sociedade está entrando numa etapa de maior conscientização. Nota-se uma crescente sensibilidade relativamente ao meio ambiente e ao cuidado da natureza, e cresce uma sincera e sentida preocupação pelo que está acontecendo com o nosso planeta. Façamos uma RESENHA, certamente incompleta, das questões que hoje nos causam inquietações e já não se podem esconder debaixo do tapete. O objetivo não é recolher informações ou satisfazer a nossa curiosidade, mas tomar dolorosa consciência, ousar transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo e, assim, reconhecer a contribuição que cada um lhe pode dar. (LS 19)

                Mencionemos, por exemplo, os pulmões do planeta repletos de biodiversidade, que são a Amazônia e a bacia fluvial do Congo, ou os grandes lençóis freáticos e os glaciares. A importância destes lugares para o conjunto do planeta e para o futuro da humanidade não se pode ignorar. Os ecossistemas das florestas tropicais possuem uma biodiversidade de enorme complexidade, quase impossível de conhecer completamente, mas, quando estas florestas são queimadas ou derrubadas para desenvolver cultivos, em poucos anos perdem-se inúmeras espécies, ou essas áreas transformam-se em áridos desertos. Todavia, ao falar sobre esses lugares, impõe-se um delicado equilíbrio, porque não é possível ignorar também os enormes interesses econômicos internacionais que, a pretexto de cuidar deles, podem atentar contra as soberanias nacionais. Com efeito, há “propostas de internacionalização do Amazônia que só servem aos interesses econômicos das corporações internacionais” (DAp 86). É louvável a tarefa de organismos internacionais e organizações da sociedade civil que sensibilizam as populações e colaboram de forma crítica, inclusive utilizando legítimos mecanismos de pressão, para que cada governo cumpra o dever próprio e não delegável de preservar o meio ambiente e os recursos naturais do seu país, sem se vender a espúrios interesses locais ou internacionais. (LS 38)

                Sobre muitas questões concretas, a Igreja não tem motivo para propor uma palavra definitiva e entende que deve escutar e promover o DEBATE honesto entre os cientistas, respeitando a diversidade de opiniões. Basta, porém, olhar a realidade com sinceridade, para ver que há uma grande deteriorização da nossa casa comum. A esperança convida-nos a reconhecer que sempre há uma saída, sempre podemos mudar de rumo, sempre podemos fazer alguma coisa para resolver os problemas. Todavia parece notar-se sintomas de um ponto de ruptura, por causa da alta velocidade das mudanças e da degradação, que se manifestam tanto em catástrofes naturais regionais como em crises sociais ou mesmo financeiras, uma vez que os problemas do mundo não se podem analisar nem explicar de forma isolada. Há regiões que já se encontram particularmente em risco e, prescindindo de qualquer previsão catastrófica, o certo é que o atual sistema mundial é insustentável a partir de vários pontos de vista, porque deixamos de pensar na finalidades da ação humana: “Se o olhar percorre as regiões do nosso planeta, apercebemo-nos depressa de que a humanidade frustrou a expectativa divina”[(Catequese: 17.jan.2001 / OR: 20.jan.2001 – 8) LS 61]

                Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão crescendo? Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode colocar a questão de forma fragmentária. Quando nos interrogamos acerca do mundo que queremos deixar, referimo-nos sobretudo à sua orientação geral, no seu sentido, aos seus valores. Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo, não creio que as nossas preocupações ecológicas possam alcançar efeitos importantes. Mas, se esta pergunta é posta com coragem, leva-nos inexoravelmente a outras questões muito diretas: Com que finalidade passamos por este mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra? Por isso, já não basta dizer que devemos preocupar-nos com as gerações futuras; exige-se ter consciência de que á a nossa própria dignidade eu está em jogo. Somos nós os primeiros interessados em deixar um planeta habitável para a humanidade que nos vai suceder. Trata-se de um drama para nós mesmos, porque isto chama em causa o significado da nossa passagem por esta terra. (LS 160)

CAMPANHAS DA FRATERNIDADE

2007 – Fraternidade e Amazônia (Vida e missão neste chão)

2016 – Ecumênica: Casa Comum, nossa responsabilidade (Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca – Am 5,25)

REPAM

                DAp 475: “Criar nas Américas consciência sobre a importância da Amazônia para toda a humanidade…”

                Setembro de 2014 em Brasília – DF – REDE ECLESIAL PAN-AMAZÔNIA (REPAM)

                Nove países que tem a floresta amazônica em seu território (Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname)

                IBGE – Amazônia legal: 61% do território brasileiro (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão)

                Presidente: Cardeal Cláudio Hummes; Vice-Presidente: Dom Erwin Krautler.

  1. outubro. 2017 – Festa da Canonização dos Mártires brasileiros – ANÚNCIO

                Acolhendo o desejo de algumas Conferências episcopais da América Latina, assim como a voz de diversos Pastores e fieis de outras partes do mundo, DECIDI convocar uma ASSEMBLEIA ESPECIAL DO SÍNODO DOS BISPOS para a Região Pan-Amazônica, que tem lugar em Roma no mês de outubro de 2019.

                Finalidade principal desta convocação é encontrar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, sobretudo dos indígenas, muitas vezes esquecidos e sem a perspectiva de um futuro sereno, também por causa de crise da floresta Amazônica, pulmão de importância fundamental para o nosso PLANETA

Os novos Santos intercedam por este evento eclesial para que, nos respeito de beleza da criação, todos os povos da terra louvem a Deus, Senhor do universo, e por Ele iluminados percorram caminhos de JUSTIÇA e PAZ.

TEMA: NOVOS CAMINHOS PARA A IGREJA E PARA UMA ECOLOGIA INTEGRAL

Novos caminhos de evangelização – elaborados para e com o povo de Deus que habita nessa região: habitantes de comunidades e zonas rurais, de cidades e grandes metrópoles, ribeirinhos, migrantes e deslocados e, especialmente, para e com os povos indígenas.

Na floresta amazônica, que é de vital importância para o planeta terra, desencadeou-se uma profunda crise, devido uma prolongada intervenção humana na qual predomina a “cultura do descarte” (LS 16) e a mentalidade extrativista.

A Amazônia, uma região com rica biodiversidade, é multiétnica, pluricultural e plurirreligiosa, um espelho de toda humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja.

As reflexões – superam o âmbito estritamente eclesial amazônico, por serem relevantes para a Igreja universal e para o futuro de todo o planeta.

Partindo de um território especifico, do qual se quer fazer uma ponte para outros biomas essenciais do nosso mundo: Bacia fluvial do Congo, corredor biológico mesoamericano, florestas tropicais da Ásia Pacifica e Aquífero Guarani, entre outros.

Também para a Igreja universal é de vital importância escutar os povos indígenas e todas as comunidades que vivem na Amazônia, como os primeiros interlocutores deste Sínodo.

Por causa disso, precisamos de convivência mais próxima.

Queremos saber como imaginam um “futuro tranqüilo” e o “bem viver” para as futuras gerações.

Como podemos colaborar na construção de um mundo capaz de romper com as estruturas que sacrificam a vida e com as mentalidades de colonização para construir redes de solidariedade e interculturalidade?

Sobretudo queremos saber: Qual é a missão especifica da Igreja, hoje, diante desta realidade?

DOCUMENTO PREPARATORIO: Três partes (VER, JULGAR/ DISCERNIR e AGIR)

VER – Identidade e clamores da Pan-Amazônica (a bacia amazônica)

DISCERNIR – Para uma conversão Pastoral e ecológica (a natureza como herança gratuita)

AGIR – Novos caminhos pra uma Igreja com rosto amazônico (novos caminhos)

QUESTIONÁRIO – perguntas que permitem o diálogo e a progressiva aproximação à realidade e à expectativa regional de uma “cultura do encontro” (EG 220)

Os novos caminhos para a evangelização e para modelar uma Igreja com rosto amazônico passam pelas veredas dessa “cultura do encontro” na vida cotidiana, “em uma harmonia pluriforme” (EG 220) e “sobriedade feliz” (LS 224-225), como contribuições para a construção do Reino.

Puerto Maldonado (19.jan.2018) – Povos indígenas

                “Provavelmente, nunca os povos originários amazônicos estiveram tão ameaçados nos seus territórios como o estão agora. A Amazônia é uma terra disputada em várias frentes: por um lado, a nova ideologia extrativista e a forte pressão de grandes interesses econômicos cuja avidez se centra no petróleo, gás, madeira, ouro e monoculturas agroindustriais; por outro lado, a ameaça contra os vossos territórios vem da perversão de certas políticas que promovem a “conservação” da natureza sem ter em conta o ser humano, nomeadamente vós irmãos amazônicos que habitais. Temos conhecimento de movimentos que, em nome da conservação da floresta, se apropriam de grandes extensões da mesma a negoceiam com elas gerando situações de opressão sobre os povos nativos, para quem, assim, o território e os recursos naturais que há nele se tornam inacessíveis. Este problema sufoca os vossos povos, e causa a migração das novas gerações devido à falta de alternativas locais. Devemos romper com o paradigma histórico que considera a Amazônia como uma despensa inesgotável dos Estados, sem ter em conta os seus habitantes”.

Visita ao Lar “O Principezinho” – Puerto Maldonado

                “… Precisamos de vós autênticos, jovens orgulhosos de pertencer aos povos amazônicos e que oferecem à humanidade uma alternativa de vida autentica. Amigos, muitas vezes, as nossas sociedades precisam de corrigir o rumo e estou certo de que vós, jovens dos povos nativos, podeis ajudar imenso neste desafio, sobretudo ensinando-nos um estilo de vida que se baseie no cuidado, e não na destruição, de tudo aquilo que se opõe à nossa ganância”.

ORAÇÃO PELO SÍNODO PARA A AMAZÔNIA

Deus Pai, Filho e Espírito Santo, iluminai com a vossa graça a Igreja que está na Amazônia.

Ajudai-nos a preparar com alegria, fé e esperança o Sínodo Pan-Amazônico: “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.

Abri nossos olhos, nossa mente e coração para acolhermos o que vosso Espírito diz à Igreja na Amazônia.

Suscitai discípulos missionários, que, pela palavra e o testemunho de vida, anunciem o Evangelho aos povos da Amazônia, e assumam a defesa da terra, das florestas e dos rios da região, contra a destruição, poluição e morte.

Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, intercedei por nós, para que nunca nos faltem coragem e paixão, lado a lado com vosso filho Jesus. Amém.

Por: Pe. Manoel Pedro Neto

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