Colunistas

Pe. Manoel Pedro Neto

PISCINA DE SILOÉ

Cada dia avizinhamo-nos do homem que sonhamos, de um Brasil solidário, impulsionados, nesta Quaresma e, agora, Quarentena, pelas atitudes de jejum, esmola e oração, nosso Deus tem um Plano que nos ultrapassa. Assim no Domingo passado fomos levado ao Poço de Jacó, para que o Senhor nos fale de sede a nós que sedentos buscamos água da vida. Hoje, neste Quarto Domingo da Quaresma, nosso Deus vê nossa cegueira crescente e ultimamente mais “lama” em nossos olhos, contudo convida-nos a ir a Piscina de Siloé. A realidade estava péssima e com a CORONAVIRUS fica insustentável e sua compreensão ultrapassa-nos.

Neste momento urge voltar a graça do nosso Batismo que nos faz homens e mulheres novos quando afirmamos que nosso Deus saindo de si mesmo, criou o Cosmo harmônico e voltando-se para sua interioridade fez o homem e a mulher, qualificando-os a “dar nome a realidade” entretanto o próprio homem querendo “dar uma de deus” inicia um processo de desarticulação crescente, apesar da interferência constante de PROFETAS, REIS E SABIOS.

Estimulados pelo próprio Deus e que na plenitude dos tempos, chega-se a nós pelo FILHO AMADO, refazendo todo mesquinho projeto humano pelo escândalo da Cruz. Desmascara o

projeto humano, desfigurando-se como homem, pondo em nossas caras a realidade.

Aqui temos novo começo, novamente somos convidados com autonomia e determinação a entrar na nova possibilidade e temos correspondidos, mas chegamos a um desenvolvimento técnico-cientifico que com toda certeza chegaria a negação do próprio homem, pois ele próprio não pode absorver a realidade de consumo e bem-estar criado. Por cima o nosso humano degrada-se quando é reduzido a máquina de fazer riqueza que se concentram em mãos de poucos. Neste mesmo processo “a mãe Terra” não suporta a exploração em exaustão e tem respondido duramente. Envolvido nesta dinâmica está a RELIGIÃO, cuja finalidade era restaurar os dispersos, tem criado disparidade, e, mesmo fé cristã, ultimamente, perdeu seu elã fraterno. Dentro deste contexto o ser humano fragiliza-se, abrindo brecha para muitos vírus mortíferos, entre eles temos o CORONAVIRUS, exigindo Quarentena.

Vamos buscar culpados? Podemos negar a realidade? Teremos algum remédio, vacina, etc.? Toda resposta é possível e urgente! Contudo em nossas cegueiras e agora de olhos vendados por tantas lamas aproximemo-nos paulatinamente da PISCINA DE SILOÉ. Não precisamos negra os avanços científicos-técnicos, nem o bem-estar que estamos a desfrutar, mas é preciso socializa-los. O ser humano deve ser prioridade em um progresso que chegue a todos e não exclua o outro. A mãe Terra é agente de vida e de vitalidade e nunca algo para ser explorado. Que esta parada, para todos e tudo, forçada pelo COVID 19, leve-nos a repensar novos modos de relacionamento humano onde não cabe a exclusão de ninguém nem de nada.

Neste processo, os cristãos precisam repensar seu “estar no mundo”, testemunha da capacidade de todo homem e mulher levantar-se de “seu nada”, ultrapassando todos os túmulos históricos. A Igreja Católica deve fazer seu o Mistério da Eucaristia, pão partido, modo único e admirável na reconciliação do gênero humano. Assim, nosso Deus não olha as aparências, mas faz seu Espirito apoderar-se do homem e a mulher criando-os para a BONDADE, JUSTIÇA, VERDADE. Deste modo celebraremos: “O SENHOR É O PASTOR QUE ME CONDUZ; NÃO ME FALTA COISA ALGUMA”

Todas as possibilidades para enfrentar a realidade, já estão em nossas mãos, escutemos as autoridades sanitárias e afins. Basta decisão, conversão e muita graça do Senhor. É hora de lavarmo-nos na Piscina de Siloé e aprendermos as lições de nosso isolamento social.

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A REALIDADE É OBRA DA MÃO HUMANA

                Ultimamente só se fala de quarentena. O que é isto? Um período de parada para tomarmos posição. Assim a Igreja nos convida a viver a QUARESMA, a entrar em nossos desertos, em nossas realidade e forçar o homem que borbulha em nossos corações. O ponto de partida é a realidade cinzenta a que chegamos. Neste meio termo a Igreja católica nos apresenta a situação de assaltos, negação do irmão que intranquiliza a todos e exige uma aproximar-se, sentir compaixão e pôr a “mão na massa”, pois o importante é VIDA, que não compramos, ela é dom e leva-nos ao compromisso.

                Nesta situação de vulnerabilidade ninguém escapa, mas somos qualificado a refazer, pois nada cai do céu, tudo é consequência de nossas opções. Um elemento primeiro é a consciência de que somos “pó da terra”, mas o sopro divino nos faz “ser vivente”, agente de transformação, pois pelo homem veio o pecado, do mesmo modo a graça vem pelo homem. Vamos assumir esta nossa possibilidade que nos é confirmada pelos SACRAMENTOS.

                Neste processo não nos deixemos levar pelas tentações, e a PALAVRA DO SENHOR é nosso referencial. Não devemos nos subordinarmos ao imediatismo, o homem é um ser histórico; tudo vai acontecer a partir do chão a vida e subir em pináculos é arriscadíssimo, pois negamos o irmão; e finalmente o ser humano “vale por si” e não pode se curvar a nada deste mundo, pôr mais brilhoso que encante nossos olhos. Não só de pão vive o homem, Deus não se deixa ser tentado e somente ao mesmo cabe nosso curvar-se. Propostas para um brasileiro ou brasileira que deseja transformar nossa realidade de tanta negação do irmão e a da “casa comum”. Aqui urge muito jejum e abstinência, pois “cacete” cria muitas outras cacetadas, fugir da realidade não é humano, tapar os olhos e fechar os ouvidos é deixar as coisa num crescente. Nada de ideologização quer religiosa, econômica, política, etc. é a hora do jejum, da oração e da esmola-partilha dos bens, empenhos de todos concentrados por alguns.

 

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