Notícias da Igreja

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB

Orientações e Sugestões da Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB

para a Semana Santa 2021 em tempos de Pandemia

 

Estamos nos aproximando do Tríduo Pascal, coração do Ano Litúrgico, no qual celebramos os mistérios centrais da nossa fé cristã: a paixão-morte, a sepultura e a ressureição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para retomar Santo Agostinho: “O tríduo do Crucificado, do Sepultado e do Ressuscitado”. Dois grandes momentos precedem o Tríduo: o Domingo de Ramos da Paixão do Senhor e a Missa do Crisma.

Novamente esta Semana Maior, a Semana Santa, será celebrada no contexto da pandemia da COVID – 19, que desde o ano passado nos obrigou a elaborar e adotar normas e práticas de segurança sanitárias que buscassem garantir a defesa e a conservação da vida de nossos fiéis, pelo cuidado com a não disseminação do vírus em nossas celebrações litúrgicas. Essas exigências sanitárias interferem de maneira extraordinária no modo de bem celebrarmos esses sagrados dias.

Nossa Comissão Episcopal para a Liturgia da CNBB, reunida virtualmente no último dia 10 de março, considerou importante oferecer aos irmãos Bispos, primeiros responsáveis pela vida litúrgica de suas Igrejas Particulares, algumas orientações e sugestões para a vivência e celebração da Semana Santa deste ano, levando sempre em consideração o que já foi apresentado anteriormente pela nossa própria Comissão, em 21 de maio de 2020 (https://www.cnbb.org.br/cnbb-envia-aos-bispos-do-brasil-orientacoes-liturgicopastorais para-retorno-as-atividades/) e pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em Nota publicada no dia 17 de fevereiro passado

(https://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccdds/documents/rc_con_ccdds_doc_20210217_settimanasanta-2021_it.html).

 

Assim, apresentamos as sugestões que se seguem:

  1. a) Procissões: previstas sempre em nossas programações da Semana Santa, devem, contudo, ser evitadas, visando a não aglomeração de fiéis e, consequentemente, não possibilitando possíveis riscos à saúde pública;

2. b) Domingo de Ramos: seja utilizada a segunda forma prevista pelo Missal Romano, dentro das igrejas, respeitando-se as orientações sanitárias e o percentual de capacidade do número de participantes. Os fiéis sejam previamente exortados a trazer seus próprios ramos de casa, uma vez que não devem ser distribuídos nas igrejas, evitando-se a entrega ou a troca destes. Pode também ser utilizada a terceira forma prevista no Missal Romano. Lembramos que, em ambas as formas a serem escolhidas, a leitura da Paixão do Senhor é prevista em todas as celebrações paroquias deste dia.

3.c) Missa do Crisma: seja celebrada, a juízo do bispo diocesano, na medida do possível, com uma representação de “pastores, ministros e fiéis”, na QUINTA-FEIRA SANTA pela manhã ou em outro dia, preferencialmente ainda dentro do Tempo Pascal.

d) Missa da Ceia do Senhor: seja omitido o Rito do Lava-pés. Esse rito, quando realizado, requer a presença física de pessoas, homens e mulheres. Por isso, não deve ser substituído por nenhuma outra iniciativa, ideia ou representação que possa ferir o valor simbólico-sacramental deste gesto ritual. No final desta celebração, após a oração depois da comunhão, omita-se também a Transladação do Santíssimo Sacramento, que deve ser conservado no tabernáculo como de costume. Julgando-se oportuno, pode-se seguir um breve momento de oração em

Vigília Eucarística individual, sem solenidades. “Não se pode fazer a exposição com o ostensório” (Paschalis Sollemnitatis, n. 55). O momento de adoração seja breve para se evitar a permanência dos fiéis dentro das igrejas por muito tempo.

4.e) Sexta-feira Santa: conforme orientação do Missal Romano (Sexta-feira da Paixão do Senhor, n. 12) o bispo pode autorizar ou determinar uma intenção particular. Repropomos a oração a ser novamente inserida na Oração Universal, como número X, antes de se rezar “Por todos os que sofrem provações”, conforme a seguir:

  1. Pelos que padecem a pandemia do Covid-19

Oremos ao Deus da vida, salvação do seu povo, para que sejam: consolados os que sofrem com a doença e a morte, provocadas pela pandemia do novo coronavírus; fortalecidos os que heroicamente têm cuidado dos enfermos; e inspirados os que se dedicam à pesquisa de uma vacina eficaz.

Reza-se em silêncio. Depois o sacerdote diz:

Ó Deus, nosso refúgio nas dificuldades, força na fraqueza e consolo nas lágrimas, compadecei-vos do vosso povo que padece sob a pandemia, para que encontre finalmente alívio na vossa misericórdia. Por Cristo, nosso Senhor.

Para a Adoração da Santa Cruz, seja utilizada a genuflexão simples ou outro gesto apropriado, evitando a utilização do beijo ou qualquer outro contato físico: “o sacerdote toma a cruz e, de pé diante do altar, convida o povo em breves palavras a adorá-la em silêncio, mantendo-a erguida por um momento” (Missal Romano, Sexta-feira da Paixão do Senhor, n. 19).

5. f) Sábado Santo: dia de recolhimento. “Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto do Sepulcro do Senhor, meditando a sua paixão e morte, a sua descida à mansão dos mortos (1Pd 3,19), esperando na oração e no jejum a sua ressurreição” (Paschalis Sollemnitatis, n. 73).

Ajudarão a bem viver esse dia: a oração do Ofício Divino, uma Celebração da Palavra em família (conforme subsídio “Igreja em Oração” – Abril 2021, pág 44) ou outra oração da piedade popular como, por exemplo, a meditação das Sete Dores de Nossa Senhora ou a Via-sacra.

6.g) Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor – Vigília Pascal: a Solene Vigília Pascal seja celebrada conforme sua estrutura própria. Pode-se, porém, seguir algumas indicações particulares.

1) Celebração da Luz (primeira parte): pode-se, no local da celebração, acender o Círio Pascal (Missal Romano, Vigília Pascal, n. 13) e, imediatamente, as velas das pessoas que puderem participar presencialmente; em seguida, faz-se a Proclamação da Páscoa ou Exultet.

2) Liturgia da Palavra (segunda parte): sugerimos a proclamação do número reduzido dos textos bíblicos para se evitar o prolongamento da celebração, ou seja: “Leiam-se pelo menos três leituras do Antigo Testamento ou, em casos especiais, ao menos duas. A leitura do Êxodo, cap. 14, nunca pode ser omitida” (Missal Romano, Vigília Pascal, n. 21). Do Novo Testamento, leiam-se a Epístola e oEvangelho.

3) Liturgia Batismal (terceira parte): se não houver Batismo nem bênção de água batismal realiza-se apenas a Renovação das Promessas do Batismo. 4) Liturgia Eucarística (quarta parte): observe-se apenas a necessidade de se dar a comunhão na mão, sem realizar a saudação da paz.

7.h) Subsídio para a oração nos lares: como enfaticamente sugerido pela Nota do dia 17 de fevereiro, acima citada, convidamos aos fiéis a cultivar momentos de oração em família ou pessoalmente a partir de subsídios propostos pelas próprias dioceses e paróquias. Nossa Comissão, desde o ano passado, vem oferecendo semanalmente e oferecerá também para as celebrações da Semana Santa o subsídio “Celebrar em Família” que pode ser acessado no site: www.cnbb.org.br

8. i) Celebração do Sacramento da Penitência e Absolvição Geral: indicamos a Nota da Penitenciaria Apostólica, de 19 de março de 2020:

https://www.vatican.va/roman_curia/tribunals/apost_penit/documents/rc_trib_appen_pro_20200319_decreto-speciali-indulgenze_po.html#NOTA

Enfim, recordamos o que afirma a Nota da Congregação para o Culto Divino e a  Disciplina dos Sacramentos: “ainda estamos lidando com o drama da pandemia de Covid-19, que trouxe muitas mudanças até à forma habitual de celebrar a liturgia.

Concebidas para tempos normais, as normas e diretrizes contidas nos livros litúrgicos não são inteiramente aplicáveis em tempos excepcionais de crise como estes. Portanto, o Bispo, como moderador da vida litúrgica na sua Igreja, é chamado a tomar decisões prudentes para que as celebrações litúrgicas se desenvolvam frutuosamente para o Povo de Deus e para o bem das almas que lhe são confiadas, no respeito da salvaguarda da saúde e das prescrições das autoridades responsáveis pelo bem comum”.

Que a celebração do Mistério da Páscoa reafirme aquela esperança ousada que sabe olhar para além das comodidades pessoais, das pequenas seguranças e compensações que reduzem o horizonte, para se abrir aos grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna’. Caminhemos na esperança!” (Fratelli Tutti, n. 55).

 

Paranaguá, 16 de março de 2021.

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Dom Edmar Peron

Bispo de Paranaguá e

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB

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Dom Antônio Carlos Cruz Santos

Dom Antônio Carlos Cruz Santos

Bispo Diocesano de Caicó

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